Baú - As memórias que me fizeram chegar até aqui.
- Claudia Teresinha Pinto
- 11 de mai.
- 2 min de leitura

Num sábado á noite, em meados de 2004, estava meio entediada, deitada no sofá, peguei o controle da televisão e comecei a trocar os canais.
Quando estava na Band, passou o programa da Preta Gil com o quadro "Caixa Preta". Foi ali que tive a ideia de sobre as minha lembranças.
Lembrei que também tenho minha caixa preta, meu baú, onde guardo minhas coisas. Tenho coisas tristes, alegres, ensinamentos, coisas que gostaria de esquecer.
Gosto de dar uma olhadinha de vez enquando no meu baú, me sinto feliz, pois tenho uma história, uma trajetória.
Sempre que me deparo com este baú, vejo o quanto cresci, amadureci.
E esses guardados são para ficar exatamente assim, no baú, fechado, só para eu olhar de vez enquando.
Não quero retroceder e sim, avançar, prosseguir, continuar minha história ...
Lembro-me quando criança, passava alguns períodos na casa da minha avó materna, no sítio.
Ela era uma mulher pequena, mas muito forte.
Passava o dia inteiro costurando, fazendo reparos de costura. Era ótima costureira.
Ela tinha o cabelo liso, bem branquinho, que amarrava em um coque baixo.
Ela era linda.
Minha avó não era muito comunicativa, mas cuidava das pessoas, dos bichos, das plantas.
Cuidava de tudo que havia na propriedade com muito zelo.
Lembro que ela ficou doente, teve um derrame, mas mesmo assim não parava.
Ela tinha a boca levemente torta por conta do derrame.
Em dias de chuva, como ela não podia ir trabalhar na roça ela sentava numa cadeira de palha e eu ficava lá olhando ela costurar, eu adorava esses momentos, esses dias chuvosos.
Eu ficava perto dela, sentindo o cheiro de limpeza da casa, o chão de tábuas bem branquinho.
Nesses dias de chuva também, ela me dava leite morno recém tirado da vaca, com pão caseiro com melado e mate doce.
No quintal, jogávamos milho no terreiro pras galinhas.
Minha avó se chamava Júlia.
O mesmo nome da minha filha.
E hoje, o nome e a história delas vive em mim.
Fico imaginando quando mais tarde, na minha velhice, quando olhar para minha história de vida, espero estar lúcida, cheia de vida, com muitas histórias ricas da minha meninice.

Claudia Teresinha Pinto
11/05/2026


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